O passageiro poderá ganhar mais liberdade para trocar de ônibus em Curitiba com a nova concessão do transporte coletivo da capital paranaense. O projeto apresentado pela Prefeitura de Curitiba e pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) prevê a adoção de uma integração temporal irrestrita, permitindo que a conexão entre linhas seja feita em qualquer ponto de embarque durante um período determinado, sem a exigência de deslocamento até um terminal ou uma estação-tubo.
A proposta também combina a reorganização da experiência de viagem com uma transformação gradual da frota. Segundo a Urbanização de Curitiba (URBS), o novo modelo de concessão prevê R$ 3,9 bilhões em investimentos, incluindo a compra de veículos, a implantação de infraestrutura de recarga e a modernização das estações-tubo.
Integração poderá ocorrer fora dos terminais
Na prática, a integração temporal planejada muda a lógica de conexão atualmente associada aos terminais e estações-tubo. A regra prevista permitirá que o usuário faça a troca de ônibus em qualquer ponto de embarque dentro do intervalo estabelecido pelo sistema. O projeto divulgado, no entanto, não informa qual será a duração desse período nem detalha as condições operacionais para a utilização do benefício.
Essa mudança coloca o passageiro no centro da reformulação do contrato. Em vez de depender necessariamente de uma estrutura específica para mudar de linha, o usuário poderá ter mais alternativas para completar o trajeto, desde que respeite as regras que serão definidas para a integração temporal. Os detalhes deverão ser conhecidos nas etapas seguintes de estruturação e licitação da concessão.
Eletrificação será implantada de forma gradual
O cronograma apresentado prevê a incorporação de 250 ônibus elétricos entre 2027 e 2031. Desse total, 90 veículos devem começar a operar já no início do novo contrato. A expectativa é que aproximadamente um terço dos lugares ofertados pelo sistema seja atendido por ônibus elétricos até 2031.
A eletrificação exigirá investimentos que vão além da aquisição dos ônibus. O projeto inclui a construção de eletropostos, estruturas necessárias para o carregamento dos veículos e para a continuidade da operação. A Prefeitura de Curitiba estima uma subvenção municipal de R$ 893,6 milhões, destinada principalmente à compra dos ônibus elétricos e à implantação dessa infraestrutura.
Para os passageiros, a substituição gradual da frota pode representar uma operação com menos ruído e emissões locais, além de contribuir para a modernização do serviço. A proposta também relaciona a renovação dos veículos à melhoria da acessibilidade, embora os detalhes técnicos dos ônibus e dos equipamentos ainda não tenham sido apresentados na divulgação da URBS.
Contrato terá duração de 15 anos
O novo contrato deverá durar 15 anos, enquanto o custo global estimado para a prestação dos serviços chega a R$ 18,75 bilhões. O valor dos investimentos, de R$ 3,9 bilhões, está inserido em um projeto mais amplo de reorganização da operação do transporte coletivo de Curitiba, que inclui frota, recarga, estações e regras de integração.
A apresentação do projeto ocorreu durante um roadshow promovido pela Prefeitura e pelo BNDES para mostrar a proposta a empresas e potenciais interessados. De acordo com a URBS, o banco receberia solicitações para reuniões individuais com empresas até 23 de outubro de 2026. A divulgação oficial não informa, no trecho disponível, a data exata em que o roadshow foi realizado.
O calendário indica que a mudança ainda depende de outras fases antes de chegar às ruas. Consulta, estruturação do contrato, publicação da licitação, seleção do operador e início da nova operação são etapas que precisam ser cumpridas. Por isso, os números anunciados representam as metas e condições previstas para o futuro contrato, e não uma alteração imediata no serviço utilizado atualmente pelos passageiros.
Projeto acompanha transformação do transporte urbano
A combinação entre ônibus elétricos, infraestrutura de recarga e novas formas de integração acompanha uma discussão mais ampla sobre a modernização do transporte coletivo urbano no Brasil. A Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos (NTU) mantém uma central institucional dedicada ao acompanhamento de notícias do setor, que envolve temas como operação, frota e mobilidade urbana.
Em Curitiba, a proposta tem características próprias: prevê uma transição energética distribuída ao longo de cinco anos, investimento público direcionado à eletrificação e uma alteração na forma como o passageiro poderá conectar diferentes linhas. A efetividade dessas medidas dependerá da modelagem final da concessão, dos requisitos estabelecidos na licitação e da implantação da estrutura necessária para carregar e operar os veículos.
Até o início do novo contrato, ainda será necessário acompanhar a publicação dos documentos oficiais e a definição dos critérios de funcionamento da integração temporal. Também deverão ser esclarecidos o calendário de entrada dos 90 primeiros ônibus elétricos, a localização dos eletropostos e as condições para que os 250 veículos previstos estejam em operação até 2031.
