A Prefeitura de Belo Horizonte formalizou, em 22 de setembro de 2026, contratos para a aquisição de 96 ônibus 100% elétricos e de 27 carregadores para as baterias dos veículos. Os acordos somam aproximadamente R$ 313,1 milhões e fazem parte de um projeto financiado com recursos do PAC Seleções.
De acordo com informações divulgadas pela Prefeitura de Belo Horizonte, R$ 307,6 milhões serão destinados à compra dos ônibus junto à Caio Induscar. Outros R$ 5,5 milhões correspondem ao fornecimento e à instalação dos equipamentos de recarga, além do treinamento dos operadores, sob responsabilidade da Nansen Instrumentos de Precisão.
Como será a aquisição dos ônibus elétricos
Os veículos serão do tipo BRT Misto e terão cinco portas, capacidade para até 71 passageiros, ar-condicionado e recursos de acessibilidade. A autonomia informada para os ônibus é superior a 250 quilômetros, característica que deverá ser considerada no planejamento das linhas, na organização das escalas e na rotina de recarga da frota.
A Prefeitura de Belo Horizonte informou que os ônibus serão adquiridos pelo município e cedidos em regime de comodato às concessionárias responsáveis pela operação do sistema de transporte coletivo. A incorporação ocorrerá de forma gradual, conforme o cronograma de fabricação e entrega dos veículos, sem indicação, na fonte consultada, de uma data única para a entrada de toda a frota em circulação.
Os contratos têm prazos distintos. A aquisição dos ônibus possui vigência de 20 meses, enquanto o acordo relacionado aos carregadores prevê 18 meses para o fornecimento e a instalação dos equipamentos. Os extratos dos contratos foram publicados no Diário Oficial do Município, segundo a administração municipal.
Infraestrutura de recarga terá 27 equipamentos
A eletrificação do transporte coletivo depende não apenas da compra dos veículos, mas também da implantação de uma estrutura capaz de atender à operação diária. Para isso, o projeto de Belo Horizonte inclui 27 carregadores de 160 kW, equipamentos que podem carregar mais de um ônibus simultaneamente, conforme as informações oficiais.
Além da instalação, o contrato prevê treinamento para os operadores. A medida envolve uma mudança na rotina das empresas responsáveis pelo serviço, que precisarão adaptar procedimentos de condução, manutenção, planejamento operacional e acompanhamento do consumo de energia. A infraestrutura também será um elemento central para garantir que os veículos tenham autonomia suficiente para cumprir as viagens previstas.
A responsabilidade pela operação ficará com as concessionárias do sistema, que receberão os veículos em comodato. Com isso, o município concentra a aquisição da frota e a estrutura de recarga, enquanto as empresas permanecem vinculadas à execução do serviço de transporte de passageiros.
Impactos esperados para o transporte de Belo Horizonte
A Prefeitura estima que a substituição de ônibus movidos a diesel poderá evitar a emissão de aproximadamente 11,8 mil toneladas de dióxido de carbono por ano. O número é uma projeção associada ao projeto e não representa, neste momento, um resultado já verificado em operação, já que a incorporação dos veículos ainda dependerá da fabricação, da entrega e da instalação dos carregadores.
Os ônibus elétricos também tendem a reduzir a poluição sonora durante a circulação, além de não emitirem poluentes diretamente pelo escapamento. Para os passageiros, a nova frota terá recursos de acessibilidade, climatização e capacidade compatível com o atendimento de linhas de maior demanda, segundo as especificações apresentadas pela administração municipal.
Para as empresas de transporte, a mudança exige ajustes que vão além da substituição dos veículos. A gestão da recarga, a capacitação das equipes e o acompanhamento da autonomia passam a integrar o planejamento operacional. A disponibilidade dos carregadores e a organização dos horários de abastecimento elétrico serão aspectos importantes para manter a regularidade do serviço.
Próximas etapas do projeto
Com a formalização dos contratos, o projeto entra na etapa de fabricação dos ônibus e de fornecimento e instalação dos carregadores. A entrada dos veículos no sistema será progressiva, seguindo os prazos contratuais e o cronograma de entrega. A operação ficará vinculada às concessionárias que já respondem pelo transporte coletivo de Belo Horizonte.
A contratação representa uma iniciativa específica de modernização da frota da capital mineira, com quantidade de veículos, fornecedores, valores e infraestrutura de recarga definidos. O avanço da eletrificação dependerá, na prática, da integração entre a entrega dos ônibus, a instalação dos equipamentos e a preparação das equipes que participarão da operação.
