Curitiba se prepara para uma mudança estrutural no transporte coletivo. A Prefeitura e a Urbanização de Curitiba (Urbs) apresentaram, em 24 de setembro de 2026, detalhes do novo modelo de concessão que deverá reorganizar a operação dos ônibus na capital paranaense. A proposta combina renovação de frota, ampliação da infraestrutura e uma nova lógica de integração entre linhas.
O projeto estima investimentos de R$ 3,9 bilhões ao longo do contrato, previsto para durar 15 anos. A maior parte dos recursos deverá ser direcionada à substituição dos veículos atualmente utilizados, à implantação de estruturas de recarga e à construção de novas estações-tubo. O custo global estimado para a prestação dos serviços é de R$ 1,25 bilhão por ano.
Integração temporal muda possibilidade de transferência
Entre as principais mudanças está a adoção de um modelo de integração temporal irrestrita. Com ele, o passageiro poderá realizar transferências entre ônibus usando o cartão-transporte da Urbs, sem precisar retornar a um terminal ou estação-tubo para continuar a viagem.
A regra também prevê que não seja necessário pagar uma nova passagem durante o período estabelecido pelo sistema. A medida pode alterar a forma como os usuários planejam seus deslocamentos, especialmente em trajetos que exigem a combinação de linhas alimentadoras, convencionais e de maior capacidade.
Segundo a Urbanização de Curitiba (Urbs), a proposta foi apresentada durante um roadshow promovido pela Prefeitura e pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). O objetivo da apresentação é detalhar o projeto a empresas e agentes interessados na futura concessão.
250 ônibus elétricos estão previstos até 2031
A eletrificação é outro eixo central do novo modelo. O cronograma prevê a incorporação de 250 ônibus elétricos entre 2027 e 2031, sendo que 90 veículos deverão entrar em operação já no início da nova concessão. Ao final desse período, aproximadamente um terço dos lugares ofertados pelo sistema deverá ser atendido por ônibus elétricos.
Para sustentar a expansão da frota elétrica, o projeto inclui investimentos específicos em infraestrutura de recarga. A transição, portanto, não depende apenas da compra dos veículos: exige adequações nas instalações, planejamento da operação e estrutura capaz de atender à rotina de carregamento dos ônibus.
O cronograma também indica uma implantação gradual. Em vez de substituir toda a frota de uma só vez, a proposta distribui a entrada dos veículos elétricos ao longo de cinco anos, permitindo que a eletrificação avance paralelamente à renovação dos demais ônibus e à preparação das estruturas necessárias.
Impactos para passageiros e empresas
Para os passageiros, a mudança mais perceptível poderá ser a possibilidade de fazer conexões sem voltar aos terminais e sem pagar uma nova tarifa dentro da janela de integração. A efetividade desse modelo, contudo, dependerá da definição operacional do período de validade e da organização das linhas que participarão do sistema.
Para as futuras concessionárias, o projeto reúne compromissos de longo prazo relacionados à frota, à infraestrutura e à prestação do serviço. Além da aquisição dos veículos, as empresas terão de considerar os custos de operação, manutenção e recarga dos ônibus elétricos, em um contrato com duração estimada de 15 anos.
A combinação entre integração temporal e eletrificação também exige coordenação entre planejamento urbano, gestão da rede e tecnologia de pagamento. A proposta apresentada pela Urbs coloca esses elementos dentro de um mesmo desenho de concessão, em vez de tratá-los como iniciativas isoladas.
Participação institucional e próximos passos
O BNDES aparece como apoiador da estruturação e da apresentação do projeto, mas a condução da nova concessão está associada à Prefeitura de Curitiba e à Urbs. Em outra frente, a Agência BNDES de Notícias registra a participação do banco no financiamento de ônibus elétricos para o transporte coletivo de São Paulo, contexto que ajuda a dimensionar o papel da instituição no apoio à eletrificação do setor.
O novo modelo ainda representa uma preparação para a próxima etapa da concessão. Os detalhes apresentados no roadshow deverão orientar o interesse de operadores, fabricantes, fornecedores de infraestrutura e instituições financeiras. Até 2031, caso o cronograma seja mantido, Curitiba terá uma parcela relevante de sua oferta de lugares atendida por veículos elétricos e uma rede com novas possibilidades de conexão para os usuários.
