De acordo com Tiago Schietti, a sustentabilidade entrou no centro das discussões sobre urbanismo e uso do território em todo o mundo, e os cemitérios não ficam de fora dessa transformação. Espaços tradicionalmente associados ao silêncio e ao descanso começam a ser repensados como áreas que podem e devem integrar práticas ambientais responsáveis, garantindo não só a dignidade dos entes queridos, mas também a preservação dos recursos naturais e a saúde pública.
Implementar sustentabilidade na gestão de cemitérios vai muito além de plantar árvores ou cortar custos. Trata-se de adotar práticas que reduzam impactos ambientais, melhorem a qualidade dos espaços e atendam às exigências legais e sociais de um mundo cada vez mais consciente sobre os limites do planeta. Neste conteúdo, abordamos práticas, desafios e caminhos para transformar cemitérios em espaços mais equilibrados, legais e alinhados às demandas ambientais e sociais contemporâneas.
Desafios ambientais dos cemitérios tradicionais
Os cemitérios tradicionais podem representar desafios significativos ao meio ambiente quando não são bem administrados. O processo natural de decomposição libera líquidos como o necrochorume, que pode infiltrar-se no solo e contaminar águas subterrâneas se não houver um sistema de manejo adequado. Além disso, a construção de jazigos e estruturas rígidas pode impactar a drenagem e a fauna local.
Segundo Tiago Schietti, esses impactos vão além da superfície visível. Por isso, políticas públicas e gestões eficazes precisam considerar a saúde ambiental do entorno, além da manutenção adequada dos espaços.

O que significa um cemitério sustentável?
Um cemitério sustentável é aquele que adota práticas voltadas à proteção ambiental, à eficiência no uso de recursos e à integração harmônica com o ecossistema, conforme explica Tiago Schietti. Isso inclui desde o uso de materiais biodegradáveis até a gestão consciente de solo, água e biodiversidade.
Alguns elementos que caracterizam cemitérios mais sustentáveis são:
- Eliminação ou redução do uso de substâncias tóxicas, como fluidos de embalsamamento;
- Preferência por materiais biodegradáveis em urnas e caixões;
- Manejo de resíduos sólidos com separação e destinação adequada;
- Planejamento de áreas verdes que apoiem a biodiversidade;
- Gestão eficiente de água e energia
Essas ações permitem que cemitérios deixem de ser apenas locais de sepultamento e tornem-se espaços que respeitam a vida e a natureza.
Boas práticas de sustentabilidade em cemitérios
A gestão sustentável envolve mudanças estruturais e operacionais. Segundo Tiago Schietti, algumas práticas já são adotadas em diferentes partes do mundo e podem servir de inspiração para gestores no Brasil:
- Enterros ecológicos ou “green burials”, que evitam embalsamamento químico e utilizam materiais compostáveis, preservando o solo e a água subterrânea.
- Plantio e manutenção de vegetação nativa, que ajudam a reduzir a necessidade de fertilizantes e irrigação, além de proporcionar habitats para espécies locais e melhorar o microclima.
- Gestão de resíduos sólidos diferenciada, com a separação adequada de lixo e materiais recicláveis gerados por serviços e visitantes.
- Uso eficiente de recursos como energia e água, adotando tecnologias e sistemas que reduzam consumo e desperdício.
Essas práticas não só diminuem a pegada ambiental, como também tornam os espaços mais acolhedores e compatíveis com realidades urbanas planejadas.
Sustentabilidade e legislação: O papel do gestor público ou privado
No Brasil, os cemitérios são considerados atividades que podem gerar impacto ambiental e, por isso, estão sujeitos a licenciamento e normativas específicas. Como elucida Tiago Schietti, a gestão sustentável deve observar legislações federais, estaduais e municipais que tratam do uso do solo, saúde pública e proteção ambiental.
Isso significa que os gestores devem considerar certificações ambientais, monitoramento de qualidade do solo e água, planos de manejo de áreas verdes e estratégias de redução de impactos desde o planejamento até a operação diária do cemitério.
Caminhos para consolidar práticas sustentáveis
Por fim, conforme explica Tiago Schietti, construir um modelo sustentável de gestão funerária não é uma tarefa isolada. Ela envolve diálogo entre gestores, famílias, instituições ambientais e cidades. Algumas iniciativas úteis para avançar nesse sentido são:
Ao adotar práticas sustentáveis, cemitérios não apenas cumprem seu papel funcional, mas também contribuem para um futuro mais saudável e equilibrado para toda a comunidade.
Autor: Richard Ghanem
