São Paulo está na vanguarda da eletrificação do transporte público no Brasil, com quase 1.800 ônibus elétricos em operação. Para o restante do país, porém, a realidade segue outra: o Brasil ainda conta com 130 mil ônibus a diesel em circulação, enquanto os elétricos, apesar do crescimento de 170% nos emplacamentos em 2025, continuam presos, em sua maioria, à capital paulista. Entender por que essa transição avança em algumas cidades e trava em outras exige olhar para um conjunto de fatores que vão muito além da tecnologia em si. CPG Click Petróleo e Gás
O custo inicial é o primeiro obstáculo
A tecnologia funciona. Os fabricantes confirmam isso. O que ainda pesa na decisão de compra das empresas de transporte é o valor de entrada. Um ônibus elétrico custa entre R$ 2,5 milhões e R$ 3 milhões, enquanto um modelo a diesel equivalente fica entre R$ 700 mil e R$ 900 mil, o que representa uma diferença de três a cinco vezes no investimento inicial. CPG Click Petróleo e Gás
Por outro lado, o custo ao longo da vida útil conta uma história diferente. Planilhas oficiais da SPTrans mostram que a operação de ônibus elétricos pode ser 65% mais barata por quilômetro do que o diesel, e como os elétricos têm maior durabilidade, ao longo de toda a vida útil eles tendem a ser financeiramente mais vantajosos. O problema é que muitas empresas, especialmente fora de São Paulo, não têm acesso a crédito para financiar esse investimento inicial. Diário do Transporte
Infraestrutura é o segundo nó
Não basta comprar o ônibus. É preciso onde carregá-lo. João Paulo Ledur, diretor de Estratégia, Digital e Inovação da Marcopolo, alertou que carregar uma frota de 100 ou 200 ônibus em um mesmo local exige investimento grande e planejamento, mudando toda a estrutura por trás do transporte público. CPG Click Petróleo e Gás
Em São Paulo, esse problema está sendo enfrentado com recursos volumosos. A Enel Brasil informou que, de 2024 até fevereiro de 2026, entregou 72 MW de energia a 28 garagens de ônibus, volume suficiente para abastecer pelo menos 1.600 veículos. Fora do eixo paulista, essa infraestrutura ainda não existe na maioria das cidades. CPG Click Petróleo e Gás
O que está sendo feito para mudar esse cenário
O governo federal reconhece o gargalo e vem atuando com instrumentos de financiamento. O Novo PAC prevê recursos para a aquisição de 2.296 ônibus elétricos, e o BNDES já aprovou R$ 4,5 bilhões em crédito para projetos de eletrificação do transporte coletivo, apoiando a compra de 2 mil ônibus no país. O programa Move Brasil também foi ampliado para incluir ônibus e micro-ônibus em uma linha de financiamento de R$ 21,2 bilhões. Conexão Tocantins
Algumas cidades começam a aparecer no mapa. Aracaju foi apontada como a primeira capital nordestina com frota própria de ônibus elétricos, com 15 veículos em operação. Manaus recebeu 14 unidades em 2023. Goiânia também iniciou projetos de eletrificação com Volvo e Marcopolo. São exemplos ainda tímidos perto da escala nacional necessária, mas indicam que o movimento está saindo de um único centro. CPG Click Petróleo e Gás
A eletrificação do transporte público não é mais uma aposta no futuro. No Brasil de 2026, ela já é uma política pública em andamento. O ritmo e o alcance dessa transformação, porém, dependem de decisões que vão muito além da tecnologia: financiamento acessível, infraestrutura distribuída e planejamento municipal consistente.
Fontes: Exame via Click Petróleo e Gás | Diário do Transporte | Conexão Tocantins
Autor: Diego Rodríguez Velázquez
