Compartilhamento padronizado de informações entre instituições autorizadas pelo Banco Central já soma mais de 150 milhões de consentimentos ativos e começa a transformar processos de onboarding e análise de crédito no mercado de fundos
O Open Finance brasileiro, iniciativa do Banco Central para padronizar o compartilhamento de dados financeiros entre instituições autorizadas, consolidou-se como um dos ecossistemas mais avançados do mundo nesse tipo de infraestrutura. Segundo dados da Federação Brasileira de Bancos, o sistema registrou mais de 154 milhões de consentimentos ativos em fevereiro de 2026, reunindo bancos, fintechs, corretoras, cooperativas de crédito e demais instituições autorizadas em uma rede única de compartilhamento padronizado de informações. A quarta fase da iniciativa, batizada de Open Investment, estendeu esse compartilhamento também ao universo de investimentos, permitindo que fundos, títulos de renda fixa e outros ativos financeiros sejam visualizados de forma consolidada por diferentes instituições, mediante autorização expressa do cliente, tema que a ID CTVM acompanha como parte de sua estratégia de modernização tecnológica.
Administração fiduciária ainda tem espaço para digitalização
Historicamente, o setor de administração fiduciária, controladoria e custódia manteve um nível de digitalização inferior ao observado em segmentos como crédito e meios de pagamento, dependendo com frequência de processos manuais para validar informações cadastrais e financeiras de cotistas, cedentes e demais partes envolvidas em operações estruturadas. A ampliação do Open Finance para o universo de investimentos abre espaço para que administradores fiduciários acessem, mediante consentimento, informações mais completas e atualizadas sobre o perfil financeiro de investidores e empresas financiadas, reduzindo a dependência de documentos enviados manualmente durante processos de onboarding.
Segundo Rodrigo Balassiano, diretor da ID CTVM, o Open Finance representa uma oportunidade de reduzir fricção em processos que hoje ainda dependem de trocas manuais de documentos.
“Quando o investidor autoriza o compartilhamento de dados entre instituições, o processo de onboarding de um novo cotista ou de análise de crédito de um cedente pode ficar significativamente mais ágil. Isso beneficia tanto quem opera o fundo quanto quem investe nele”, nota o executivo.
Consentimento do cliente permanece como pilar central
Diferentemente de modelos anteriores de compartilhamento de dados financeiros, o Open Finance brasileiro coloca o consentimento explícito do cliente como condição central para qualquer compartilhamento de informação entre instituições, com prazos de validade definidos e possibilidade de revogação a qualquer momento. Para administradores fiduciários que desejam integrar esse tipo de dado a seus processos internos, isso significa desenvolver fluxos de solicitação de consentimento claros e transparentes, capazes de explicar ao investidor exatamente quais informações serão compartilhadas e com qual finalidade, sob risco de comprometer a confiança na própria instituição solicitante.
A ID CTVM opera com infraestrutura tecnológica proprietária integrada por APIs, o que facilita a incorporação de novos padrões de compartilhamento de dados à própria operação. A companhia atende mais de 9 mil contas operacionais ativas, volume que reforça a relevância de processos de onboarding e verificação cadastral cada vez mais ágeis e menos dependentes de trocas manuais de documentos entre as partes envolvidas em uma operação estruturada.
A companhia é habilitada pela CVM e pela ANBIMA para representação de investidores não residentes, atividade que também pode se beneficiar de padrões mais amplos de compartilhamento de dados financeiros à medida que iniciativas equivalentes ao Open Finance avancem em outras jurisdições relevantes para o capital estrangeiro que acessa o mercado brasileiro.
Adoção deve avançar de forma gradual no setor
Para Balassiano, a adoção do Open Finance pela indústria de fundos deve ser gradual, mas consistente.
“Não é uma mudança que acontece da noite para o dia. Mas a direção é clara: cada vez mais processos que hoje dependem de documentos enviados manualmente vão migrar para fluxos de dados compartilhados com consentimento do cliente”, detalha o diretor da ID CTVM.
Fundos que investem em recebíveis de pequenas e médias empresas também podem se beneficiar do acesso a dados de faturamento e movimentação bancária compartilhados via Open Finance, permitindo uma análise de crédito mais dinâmica e menos dependente de demonstrativos financeiros enviados com defasagem pelas próprias empresas cedentes.
Novos casos de uso devem surgir nos próximos anos
A expectativa entre especialistas é que o Open Finance continue avançando sobre novos casos de uso dentro do mercado de capitais nos próximos anos, incluindo processos hoje concentrados na administração fiduciária, como onboarding de cotistas e análise cadastral de cedentes em operações de crédito privado. Para instituições que conseguirem integrar essa infraestrutura à própria operação, a expectativa é de ganhos relevantes de agilidade e redução de custos operacionais ligados à verificação manual de informações. Essa transição também deve favorecer instituições menores e mais recentes, que passam a competir em pé de igualdade com players mais tradicionais no acesso a dados financeiros antes concentrados nas grandes instituições do sistema.
