Como destaca o Engenheiro Valderci Malagosini Machado, evitar fissuras em lajes treliçadas é um desafio que começa no projeto e termina apenas com o acabamento concluído. Embora pequenas fissuras possam parecer inofensivas, elas revelam desequilíbrios entre deformação, retração e aderência e, se negligenciadas, comprometem estética, durabilidade e desempenho global. Continue a leitura e veja que entender suas origens é o primeiro passo para controlar causas antes que o sintoma apareça.
Onde as fissuras realmente nascem?
Fissuras não surgem no uso; elas começam durante o processo construtivo. Em lajes treliçadas, os pontos mais vulneráveis estão nas interfaces: entre vigotas e capa de concreto, nas zonas de concentração de armaduras e nas transições entre ambientes. À luz da engenharia, são regiões onde tensões de tração superam a capacidade de acomodação do material, gerando microaberturas que, com o tempo, tornam-se visíveis.
O fenômeno é acumulativo. Cada variação de temperatura, carga ou umidade amplia discretamente a abertura existente, até que o acabamento evidencia a falha. Por isso, controlar a origem é mais eficaz do que mascarar a manifestação.
Retração e variação térmica: Os agentes invisíveis
O concreto se movimenta. Retrai quando perde água e se dilata quando a temperatura aumenta. Se essas variações não encontram caminho para se acomodar, o pavimento reage fissurando. Em lajes treliçadas, o problema é intensificado por diferenças entre materiais, o concreto da capa, as vigotas pré-fabricadas e os enchimentos têm coeficientes de deformação distintos.
A previsibilidade dessas deformações é parte do projeto. O controle começa na dosagem do concreto, passa pelo planejamento da concretagem e culmina na cura, etapa frequentemente subestimada. É a cura que garante ganho uniforme de resistência e reduz retração diferencial entre peças e capa.
A cura como fronteira entre desempenho e patologia
A cura é o momento em que o concreto deixa de ser apenas massa plástica e começa a se comportar como material estrutural. Interrompê-la cedo demais ou executá-la de forma irregular cria gradientes de umidade que favorecem fissuras superficiais. Além disso, a cura inadequada altera a microestrutura do concreto, reduzindo resistência e aumentando porosidade, o que facilita o avanço de agentes agressivos.
A cura é a etapa que separa um pavimento estável de um pavimento sujeito a manifestações recorrentes. O controle rigoroso desse processo garante que o concreto alcance a resistência projetada sem deformar mais do que o esperado.
Concretagem e escoramento: Onde a execução define o comportamento futuro?
Durante a concretagem, variações de espessura, falta de adensamento e falhas de escoramento criam zonas com tensões irregulares. Esses pontos se tornam gatilhos para fissuras, principalmente nas regiões onde o pavimento sofre flechas ou onde há mudanças bruscas de rigidez. Se o escoramento cede ou é removido antes do tempo, a laje absorve carga prematuramente, e a fissura aparece como resposta à deformação inicial.

Como ressalta o Diretor Técnico Valderci Malagosini Machado, essas ocorrências não são defeitos isolados, mas sintomas de perda de continuidade. Uma laje bem escorada e concretada de forma uniforme apresenta menor variabilidade e se mantém mais estável durante a vida útil da edificação.
Qual é a origem das trincas planejadas?
Quando instalações ou aberturas são incluídas sem respeitar a lógica das nervuras e da armadura principal, o concreto perde continuidade e concentra tensões. Fissuras em torno de shafts, dutos e recortes costumam refletir exatamente esse tipo de interferência. Para o Engenheiro Valderci Malagosini Machado, o pavimento precisa ser tratado como um corpo único, toda descontinuidade gera efeitos que se propagam além do ponto onde se inicia.
O detalhamento de reforços localizados e o planejamento das passagens são ações preventivas, não corretivas. Quando resolvidas em projeto, essas soluções protegem o sistema contra deformações e evitam patologias de longo prazo.
Acabamento e tempo de exposição: As etapas que completam a prevenção
Mesmo depois da cura, o concreto continua sensível a variações de umidade e temperatura. Se a laje permanece exposta por longos períodos antes do revestimento, a superfície fica sujeita a retração superficial e microfissuras por gradiente térmico. Essa condição é agravada quando o acabamento posterior não consegue compensar a movimentação já consolidada.
Para o Engenheiro Valderci Malagosini Machado, o controle da exposição é parte da engenharia do pavimento. O prazo entre concretagem e revestimento deve respeitar o equilíbrio entre ganho de resistência e estabilização da umidade interna, reduzindo deformações residuais.
Fissuras não são destino, são consequência
Fissuras em lajes treliçadas revelam falhas de controle, não de sistema. Prevenir é alinhar especificação, execução e cura, garantindo coerência entre materiais e comportamento estrutural. Como sintetiza o Diretor Técnico Valderci Malagosini Machado, a laje treliçada entrega desempenho duradouro quando cada etapa é tratada como parte da estrutura, e não como um simples passo de acabamento.
Autor: Richard Ghanem
